maio 30, 2014

Looking after this little sister

- Falta quantos episódios pra terminar a série?
- Provavelmente uns quatro.
- Quando lança o último?
- Na vespera da prova de geometria.
- Se deu mal.
- Muito.

Viviane caminhava lentamente comigo no fim da tarde, eu estava exausta, mas fazia isso por mim mesma. Sim, depois de quinze anos sem praticar nenhum exercício físico (acredite, eu nunca pratiquei exercício físico rotineiro nenhum), decidi criar vergonha na cara e perder essa banha. Não que eu seja gorda, claro que não, até me chamam de anoréxica na escola. Sorte que a blusa da escola é folgada e não dá pra ver meu pequeno segredinho.
- Não quer me ajudar a estudar durante isso não? - Perguntei a ela. Já imaginava a resposta.
- Hm, tenho muita coisa pra estudar. Esqueceu? Estou tentando passar no vestibular, e você numa prova de cursinho. Peça ajuda pra alguém ou pague um professor particular.
- Nossa, que grosseria! - Me fiz de ofendida e prendi um riso. - Eu vou me lembrar disso quando você precisar de mim.
- Eu sou independente, queridinha, pra que precisaria de você?
- Talvez pra emprestar dezenas de reais pra você ir comprar seus filmes, quem sabe...
- Cara de bunda.
Ri disso. Virei pro lado ofegante, Viviane continuava no mesmo ânimo e estado de quando saímos, e eu só queria descansar um pouco.
- Você tá acabada.
- Nossa, muito obrigada, estou super contente em ouvir isso - fui sarcástica, e ri depois.
- Vem, vamos sentar ali - apontou para algum lugar no centro de uma pracinha na vila que eu morava.
Viviane costumava vir todo dia após a escola pra conversamos e assistirmos uns filmes e umas séries na minha casa, mas depois que as aulas começaram, eu acabei ficando meio sem tempo para brincadeiras e diversão; muito estudo, muito esforço.
Depois de passar por umas poças de lama, conseguimos chegar até o centro da pracinha e sentamo-nos num dos bancos. Bem, Viviane se sentou, eu me joguei em um deles.
- Sinto falta de quando eu era pequenininha, sem muita matéria pra estudar, sem muita coisa pra providenciar.
- Assim, depende. Eu não sinto falta de quando eu tinha nove, dez anos, eu era muito criança, não sabia de nada da vida e nunca tinha nenhuma opinião formada sobre nada.
- Não, pô - ri dela. - Não falo de nove, oito, dez anos. Falo dos meus doze, treze anos. Foi quando eu comecei a conhecer a tecnologia, ter uma opinião formada sobre política, psicologia, droga, religião, esses troços... - fui interrompida por umas risadas e gritarias de provavelmente alguns garotos da vila. Não costumava ter muita gente visitando aqui, principalmente nessa idade de grupinho adolescente e tal.
- O que foi? - Vivs perguntou estranhando eu ter parado de falar do nada.
- Escuta só - alarmei ela. Ela fixou o olhar em algum canto aleatório e provavelmente apurou os ouvidos.
- Eu conheço essa algazarra toda.
- Sim, ela não é me estranha também - olhei para os lados e para as esquinas e encontrei dobrando uma esquina um grupo de seis jovens, provavelmente.
- Olha ali - ela falou antes que eu pudesse dizer algo - eu conheço eles, são lá do cursinho.
- Eu conheço eles também, realmente eles são bem familiares para mim.
- Você que me deixa lá no cursinho, claro que conhece eles.
- Algum deles é da sua turma?
- Hmm - passou a mão pelos cabelos tirando-os do rosto - só aquele alto sem camisa, que eu meio que gosto dele e ele de mim, aquele mais baixinho nigga também e aquele mais branquelo...
- Conhece aquele moreninho altão?
- Hmmm, boa observadora - ela falou e eu corei.
- Não, não é isso, droga.
- Ele é um ano mais velho que eu, mas está em duas "séries" acima de mim - falou.
- E o nome dele?
- Ah, nem sei. Eu acho que... sei lá.
- Nossa, legal. Vou chamar o Nem-sei-acho-que-sei-lá pra sair. Ei, Nem-sei-acho-que-sei-lá, bora comer uma pipoca? E aí, Nem-sei-acho...
- Para com isso - me interrompeu e bateu no meu ombro, e eu ri. - Acho que começa com i. Mas ele parece ser legal. Metade das minhas amigas gostam dele.
- Isso é bom?
- Não sei, ele tem cara de quem escolhe muito.
- Oi?
- Ele tá há meses no cursinho, até hoje não o vi com nenhuma garota - olhei para ela com o nariz franzido - nem garoto - completou e eu ri.
- E você gosta ou já gostou dele?
- Que nada, ele não faz meu tipo. De acordo com seu histórico, também não.
- Como ele é?
- Ele faz mais o tipo college, que estuda pra caramba e tira uma das melhores notas nas provas. Não sai muito, só estuda. É carismático, mas também é tímido. Ele é irritante pra caramba, também.
- Sério? Por quê?
- Porque ele é muito simpático e fofo, daí irrita.
- Tu é muito besta, Vivs, sério - falei e ri, e ela riu junto.
- Que nada - falou abanando com

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